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A camponesinha sagaz
Grimm Märchen

A camponesinha sagaz - Contos de fadas dos Irmãos Grimm

Tempo de leitura para crianças: 10 min

Houve, uma vez, um campônio que não possuía nem um pedaço de terra, apenas uma casinha e a filha. Esta, um dia, disse ao pai:

– Deveríamos pedir ao rei que nos desse uma quadra de terra. O rei, ao saber que eram tão pobres, deu-lhes um lote que não passava de um torrão cheio de mato. Pai e filha puseram-se, com afinco, a capinar e a revolver aquela pobre terra a fim de semear algum trigo e hortaliças. Já haviam cavoucado quase todo o torrão quando acharam, semi-enterrado, um pequeno pilão de ouro maciço. – Escuta aqui, – disse o pai, – como o nosso rei foi tão generoso conosco e nos deu este campo, acho que deveríamos dar-lhe este pilão como prova de reconhecimento. A filha não era da mesma opinião e objetou:

– Meu pai, se lhe levarmos o pilão há de querer também a mão-de-pilão e teremos de a procurar; portanto acho melhor ficarmos calados. O pai, entretanto, não lhe deu atenção; embrulhou o pilãozinho e foi levá-lo ao rei, contando-lhe que o haviam achado no meio da terra e que desejavam oferecer-lho. O rei aceitou o pilão mas perguntou se não haviam achado mais nada. – Não, Majestade; – respondeu o camponês. O rei disse-lhe:

– É preciso trazer, também, a mão-de-pilão. O camponês respondeu que haviam procurado mas não conseguiram encontrá-la. Essa explicação de nada serviu e o rei mandou que o trancassem na prisão até que tivessem encontrado o tal objeto. Diariamente, os guardas levavam ao camponês a ração de pão e água, que é o que dão nas prisões, e sempre o ouviam lamentar-se e exclamar:

– Ah, se eu tivesse dado atenção à minha filha! Tanto ouviram essa exclamação que resolveram ir
contar ao rei, repetindo o que sempre dizia o prisioneiro: „Ah, se eu tivesse dado atenção à minha filha!“ contando ainda que ele não queria comer nem beber nada. O rei, então, mandou buscar o prisioneiro e perguntou-lhe por que era que vivia a repetir: „Ah, se eu tivesse dado atenção à minha filha!“

– Que foi que tua filha disse? – Majestade, ela disse-me que não trouxesse o pilãozinho, senão teria que achar também a mão-de-pilão. – Tens uma filha bem inteligente, manda que venha cá. Assim a moça teve de comparecer à presença do rei, o qual lhe perguntou se realmente era tão sagaz e inteligente. A fim de prová-lo, ele lhe daria um enigma para resolver; se o conseguisse decifrar ele se casaria com ela. A moça respondeu prontamente que o decifraria; então o rei disse:

– Tens de te apresentar na minha presença nem vestida, nem nua; nem montada, nem de carro; nem na rua, nem fora dela; se conseguires fazer isso, casarei contigo. A moça retirou-se. Em seguida, despiu-se completamente, assim não estava vestida; envolveu-se numa rede de pescar e não estava nua; tomou emprestado um burro amarrando-lhe as pontas da rede no rabo para que ele a puxasse, assim não estava montada e nem de carro; fez o burro andar sobre o sulco produzido pelas rodas do carro de maneira a tocar o chão só com o dedo maior, desse modo não estava nem na estrada nem fora dela. Quando o rei a viu chegar disse-lhe que havia acertado completamente. Mandou soltar o pai dela e, em seguida, desposou-a, confiando à sua sagacidade a gerência cio patrimônio real. Transcorridos alguns anos, um dia em que o rei passava em revista uma divisão, deu-se o caso que muitos camponeses se detivessem cm frente ao castelo com os carros depois de terem vendido a lenha; alguns tinham atrelado bois e, outros, cavalos. Entre eles havia um camponês que tinha três cavalos e um potrinho recém-nascido, o qual saiu de perto da mãe e correu a refugiar-se entre dois bois que puxavam um carro. Os respectivos donos puseram-se a discutir e a brigar aos berros; o dono dos bois queria para si o potrinho, dizendo que era filho dos bois; o outro insistia dizendo que o potrinho lhe pertencia e que era filho dos cavalos. A contenda foi levada ao rei e este sentenciou que o potrinho devia ficar no lugar que escolhera; assim ficou pertencendo ao dono dos bois, embora injustamente. O outro camponês foi-se embora chorando e lastimando-se por ter perdido o potrinho. Mas ele ouvira dizer que a rainha era muito inteligente e sagaz, além de boa e compreensiva, por ser também de origem camponesa; dirigiu-se a ela pedindo que o ajudasse a recuperar o seu potrinho. Ela respondeu:

– Sim, eu te ajudarei. Se prometes não me trair, eu te ensinarei o que tens a fazer. Amanhã cedo, quando o rei for assistir à parada, coloca-te no meio da rua pela qual deve passar, pega uma rede de pesca e finge estar pescando; continua a pescar e a despejar a rede como se realmente estivesse cheia de peixes. Ensinou-lhe, também, as respostas que devia dar se o rei interrogasse. Na manhã seguinte, lá estava o camponês pescando em lugar seco. Passando por aí o rei viu-o e mandou o batedor perguntar o que fazia aquele maluco. Perguntado, o camponês respondeu:

– Estou pescando. O batedor perguntou-lhe que pretendia pescar em plena rua, onde não havia água. – Ora, – respondeu o camponês, – se dois bois podem produzir um potrinho, eu também posso pescar onde não há água. O batedor foi transmitir essa resposta ao rei, o qual mandou chamar o camponês e lhe disse que aquela ideia não era produto da sua cachola; quem lha tinha sugerido? Exigiu que o confessasse logo. Mas o camponês não queria faltar ao compromisso com a rainha e repetia: „Deus me livre, Deus me livre! É ideia minha, é ideia minha.“

Então, colocaram-no sobre um feixe de palha e espancaram-no tanto que o coitado acabou confessando que fora a rainha. À tarde, chegando em casa, o rei foi ter com a rainha, dizendo-lhe:

– Por quê és tão falsa para comigo? Não te quero mais por esposa; está tudo terminado entre nós. Volta para a tua casa campônia, de onde vieste. Todavia, permitiu que ela levasse consigo a coisa mais cara a preciosa que possuía e essa seria a sua gratificação. – Sim, meu querido esposo, – disse ela, – farei o que mandas. Lançou-se ao pescoço do rei abraçando-o e beijando-o muito, dizendo que desejava despedir-se dele. Mandou que servissem uma bebida qualquer para brindar à saúde do rei e, disfarçadamente, deitou no copo deste um narcótico, que o fez cair em profundo sono; vendo-o adormecido, a rainha mandou que lhe trouxessem um belo lençol de linho, no qual envolveu o rei; em seguida, ordenou aos criados que o levassem para a carruagem, estacionada em frente à porta, e ela mesma o conduziu depois até à sua casa. Uma vez lá na sua casinha, ela deitou-o na própria cama onde ele dormiu um dia e uma noite ininterruptamente. Quando acordou, olhou espantado em volta, exclamando:

– Meu Deus, onde estou? Chamou os criados mas não haviam nenhum. Por fim chegou a mulher, que entre um sorriso e outro, disse-lhe:

– Meu caro senhor, destes-me ordem de trazer comigo o que eu mais gostava e me era mais precioso; ora, nada no mundo me é mais caro e precioso do que vós, assim trouxe-vos comigo. O rei ficou tão comovido que os olhos se lhe encheram de lágrimas. – Minha querida mulher, tu és minha e eu sou teu, e nada nos separará. Reconduziu-a, novamente, ao paço real e quis que se tornassem a casar. Certamente, se não morreram, ainda estão vivos até hoje.

Leia outro conto de fadas curto (5 min)

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Estatísticas de contos de fadas
Valor
NúmeroKHM 94
Aarne-Thompson-Uther ÍndiceATU Typ 875
Traduções english deutsch
Índice de legibilidade de acordo com Björnsson37.8
Flesch-Reading-Ease Índice32.8
Flesch–Kincaid Grade-Level12
Gunning Fog Índice16.6
Coleman–Liau Índice9.5
SMOG Índice12
Índice de legibilidade automatizado7.8
Número de Caracteres7.126
Número de Letras5.565
Número de Sentenças72
Número de Palavras1.293
Média de Palavras por frase17,96
Palavras com mais de 6 letras257
percentagem de palavras longas19.9%
Número de Sílabas2.381
Média de Sílabas por palavra1,84
Palavras com três sílabas305
Percentagem de palavras com três sílabas23.6%

Fontes de imagens: © Andrea Danti / Shutterstock

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