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Olhinho, Doisolhinhos, Trêsolhinhos
Grimm Märchen

Olhinho, Doisolhinhos, Trêsolhinhos - Contos de fadas dos Irmãos Grimm

Tempo de leitura para crianças: 17 min

Era, uma vez, uma mulher que tinha três filhas. A mais velha chamava-se Olhinho, porque só tinha um ôlho no meio da testa; a segunda chamava-se Doisolhinhos, porque tinha dois olhos, como todo mundo; e a terceira, chamava-se Trêsolhinhos, porque tinha três olhos: o terceiro estava no meio da testa. Mas como Doisolhinhos era igual ao resto da humanidade, a mãe e as outras irmãs, detestavam-na. Por isso diziam:

– Tu, com os teus dois olhos, não és nada diferente da gente vulgar! Nada tens em comum conosco! Viviam a enxotá-la de um lado para outro aos empurrões; atiravam-lhe os piores vestidos e, para se alimentar, davam-lhe as sobras de comida; torturavam-na, enfim, de mil maneiras.

Um belo dia, Doisolhinhos tinha que ir levar as cabras a pastar; mas estava fraca de tanta fome porque as irmãs lhe haviam deixado pouquíssimas sobras para comer. Então sentou-se à borda do campo e pôs-se a chorar; chorou tanto que as lágrimas, escorrendo-lhe pelas faces, formaram dois regatos. Enquanto estava assim chorando, deu com uma mulher na sua frente, que lhe perguntou:

– Por que estás chorando? Doisolhinhos respondeu:

– E não tenho razão para chorar? Só porque tenho dois olhos, como todo mundo, minha mãe e minhas irmãs detestam-me, empurram-me de um canto para outro, atiram-me vestidos velhos e dão-me apenas restos de comida para me alimentar. Hoje comi tão pouco, que estou morrendo de fome. A mulher, que era uma feiticeira, então disse:

– Enxuga teus olhos, minha menina; vou dizer-te uma coisa, para que não padeças mais fome. E‘ isto: basta que digas à tua cabrinha:

– Linha cabrinha, põe a mesinha! e logo surgirá à tua frente uma mesinha ricamente posta, coberta com o que há de melhor no mundo, e ninguém te impedirá de comer até te fartares. Assim que estiveres satisfeita, dize:

– Linha cabrinha, tira a mesinhal
e a mesinha desaparecerá. Dito isto, a feiticeira retirou-se e a mocinha ficou a pensar: „Vou experimentar já fazer o que ela disse, para ver se é verdade, pois estou morrendo de fome!“ Dito e feito. Aproximou-se da cabra e disse:

– Linha cabrinha, põe a mesinha! Mal acabou de pronunciar essas palavras, surgiu a mesinha e, sôbre a linda e alva toalha que a cobria, viu um talher e um prato, tudo de prata, e mais diversas ter- rinas cheias de iguarias deliciosas, bem quentinhas, como se saissem nesse momento do fogo. Doisolhinhos ajoelhou-se e rezou uma oração bem curta, pois a fome não permitia mais: „Senhor e Deus meu, – disse ela – que sejas o meu hóspede, agora e para sempre, Amém.“ Em seguida, serviu-se e comeu com grande apetite. Depois de satisfazer-se, repetiu as palavras que lhe ensinara a feiticeira:

– Linha cabrinha, tira a mesinha! E a mesa, com tudo o que tinha em cima, desapareceu. „Oh, – pensou ela muito feliz, – essa é uma bela maneira de preparar a comida!“

À noitinha, quando regressou à casa levando a cabra, lá encontrou apenas um pratinho de barro, com o pingo de sobras deixado pelas suas irmãs; mas não tocou néle. No dia seguinte, tornou a levar a cabra a pastar, sem tocar nos restos que lhe deram para comer. Ora, nas primeiras vêzes isso não despertou a atenção das irmãs, mas, como o caso se repetisse, elas ficaram desconfiadas e disseram:

– Há coisa nisto! Doisolhinhos não toca mais na comida que antes devorava; decerto encontrou outra saída! Para descobrir a verdade, Olhinho foi incumbida de segui-la ao campo e prestar bem atenção ao que ela fazia, e ver se alguém lhe dava a comida e a bebida. Assim que a irmã se pôs a caminho, Olhinho aproxi- mou-se-lhe dizendo:

– Vou contigo ao campo; quero ver se cuidas bem das cabras e as deixas pastar convenientemente. Doisolhinhos percebeu a intenção da irmã e uma vez no campo, levou a sua cabra para o meio de um capim muito alto e disse:

– Vem Olhinho, sentemo-nos aqui; eu te cantarei qualquer coisa. Olhinho sentou-se, pois estava muito cansada pela caminhada que dera e pelo calor que fazia; a irmã então pôs-se a cantar:

– Olhinho, velas tu? Olhinho, dormes tu? e ela, fechando o ôlho, adormeceu. Certificando-se de que a irmã dormia realmente e não poderia revelar nada, Doisolhinhos chamou a cabra:

– Linha cabrinha, põe a mesinha! Comeu tudo o que quis, bebeu o que lhe apetecia, e tornou a dizer:

– Linha cabrinha. lira a mesinha! Imediatamente, desapareceu a mesa e tudo o que havia em cima dela. Em seguida despertou a irmã dizendo: ‚- Olhinho, vieste tomar conta das cabras e ver se pastam o suficiente e acabas dormindo! Contigo, elas poderíam perder-se tranqüilamente! Vem, levanta-te, vamos para casa. Voltaram as duas para casa e também desta vez Dois- olhinhos deixou intacto o prato de comida. Olhinho não pôde explicar à mãe a razão por que a irmã não comia, e desculpou-se dizendo:

– Eu nada vi; pois lá no campo, deu-me sono e eu dormi um pouco. No dia seguinte, a mãe disse a Trêsolhinhos:

– Vai tu com a tua irmã e presta bem atenção se ela come alguma coisa, ou se alguém lhe dá o que comer e beber. Quando Doisolhinhos se aprestava a sair com as cabras, Trêsolhinhos disse-lhe:

– Vou contigo; quero ver se cuidas bem das cabras e as deixas pastar bastante. A irmã compreendeu a intenção dela e, chegando ao campo, levou a cabra para o meio do capim bem alto, depois disse:

– Sentemo-nos aqui, Trêsolhinhos, quero cantar-te alguma coisa. Cansada pela caminhada e pelo calor, Trêsolhinhos sentou-se e a irmã pôs-se a cantar o seu estribilho:

– Trêsolhinhos, velas lu? Mas, ao invés de cantar:

– Trêsolhinhos, dormes tu? Cantou distraidamente:

– Doisolhinhos, dormes tu? E foi cantando, distraidamente:

– Trêsolhinhos, velas tu? Doisolhinhos, dormes tu? Então, dois olhos fecharam-se e dormiram, mas o terceiro ficou aberto, pois a canção não se dirigira a êle. Trêsolhinhos, astuciosamente, fechou-o como se estivesse dormindo realmente êsse também. Entretanto, com êle espiava e enxergava tudo. Quando a irmã pensou que ela estivesse perfeitamente adormecida, pronunciou as palavras conhecidas:

Surgiu a mesa e ela comeu e bebeu fartamente, depois fêz desaparecer tudo, dizendo:

Trêsolhinhos vira tudo. A outra aproximou-se; despertou-a e disse:

– Linha cabrinha, põe a mesinha!

– Linha cabrinha, tira a mesinha! – Trêsolhinhos, adormeceste? Como guardas bem as cabras! Vem daí, vamos para casa. Chegando a casa, Doisolhinhos não comeu nada; mas a irmã contou à mãe que uma cabra lhe servia a melhor comida, numa mesa magnífica. A mãe, cheia de inveja e de ódio, gritou:

– Ah, queres passar melhor do que nós? Hás de perder êsse gôsto! Foi buscar um facão de açougueiro e matou a cabra. Vendo isso, Doisolhinhos saiu desesperada, foi sentar-se à borda do campo e desatou a chorar. Repentinamente surgiu à sua frente a feiticeira, dizendo:

– Por que estás chorando, Doisolhinhos? – E não tenho razão para chorar? Minha mãe matou a cabra que todos os dias me proporcionava tão gostosos alimentos; agora voltarei a padecer fome! – Vou dar-te um ótimo conselho; – disse a feiticeira. – Volta para casa pede que te dêem os intestinos da cabra e enterra-os diante da porta; será a tua felicidade. Dizendo isto desapareceu, e Doisolhinhos foi para casa. – Queridas irmãs, – disse ela – dai-me alguma coisa da minha querida cabra! Não exijo o melhor; quero apenas os intestinos. As irmãs puseram-se a rir dêsse estranho pedido e disseram:

– Podes pegá-los, já que não queres outra coisa! A noite, quando estavam tôdas recolhidas, Doisolhinhos pegou os intestinos da cabra e, ocultamente, enter- rou-os diante da porta de casa, tal como lhe aconselhara a feiticeira. No dia seguinte, quando despertaram, as irmãs, chegando à janela, viram uma árvore estupenda, maravilhosa, coberta de folhas de prata, no meio das quais balou- çavam lindas maçãs de ouro; tão lindas como certamente não existiam iguais no mundo. Mas não sabiam de que maneira havia surgido ali, durante a noite. Somente Doisolhinhos compreendeu que a árvore surgira dos intestinos da cabra, enterrados justamente naquele lugar. A mãe, então, disse a Olhinho:

– Minha filha, trepa na árvore e colhe algumas frutas para nós. Olhinho obedeceu; mas, quando ia colhêr uma fruta, os galhos fugiam-lhe das mãos; por mais que fizesse, sempre que ia agarrar uma fruta, esta fugia-lhe e não conseguiu apanhar uma. Então a mãe disse à outra filha:

– Trêsolhinhos, vai tu; com os teus três olhos poderás ver melhor que tua irmã. Ela trepou na árvore, mas não teve melhor êxito. Por mais que olhasse e fizesse, as maçãs de ouro fugiam- -lhe das mãos e ela nada conseguiu. A mãe acabou por perder a paciência e trepou ela mesma na árvore; mas teve a mesma sorte das filhas. Então Doisolhinhos ofereceu-se para colher as frutas. As irmãs disseram, desdenhosamente:

– Que podes fazer tu, com êsses dois olhos? Ela não se importou e trepou na árvore; as maçãs não se retraiam dela; ao contrário, apresentavam-se espontâneamente ao alcance de sua mão de maneira que ela conseguiu encher o avental. A mãe tomou-lhas tôdas e, em vez de tratá-la melhor, como era sua obrigação, ela e as outras duas filhas, cheias de inveja, começaram a maltratá-la ainda mais. Certo dia, encontravam-se as três môças ao pé da árvore, quando viram aproximar-se garboso cavaleiro. – Depressa, Doisolhinhos, – exclamaram as outras; – corre, vai esconder-te debaixo do barril, pois não queremos envergonhar-nos por tua causa. E, mais que depressa, empurraram a irmã, jogando- -lhe em cima um barril vazio, escondendo também as maçãs que haviam colhido. O cavaleiro já estava bem próximo e as duas irmãs viram que êle era muito formoso. Deteve-se ao pé da árvore e ficou a admirar os belos frutos de ouro, depois disse:

– A quem pertence esta bela árvore? Quem me der um galho dela, pode pedir-me em troca o que quiser. Olhinho e Trêsolhinhos responderam que a árvore pertencia a elas e que de bom grado lhe davam o galho pedido. E as duas esforçaram-se, mas inutilmente, para apanhar um galho, pois êste sempre lhes fugia das mãos, e, por mais que fizessem, nada conseguiram. Então, o cavaleiro disse:

– E‘ estranho que, pertencendo-vos esta árvore, não possais arrancar-lhe um galho! As duas môças continuaram insistindo que a árvore lhes pertencia realmente; mas, enquanto assim falavam, Doisolhinhos empurrou para fora do barril as maçãs de ouro e estas rolaram até aos pés do cavaleiro, porque a irritava ouvir Olhinho e Trêsolhinhos afirmarem o que não era verdade. O cavaleiro ficou surpreendido ao ver aquelas maçãs rolando para junto dêle e perguntou de onde vinham. Olhinho e Trêsolhinhos responderam que tinham outra
irmã mas que não podia mostrar-se porque só tinha dois olhos, como a gente ordinária. O cavaleiro, porém, quis vê-la e gritou:

– Doisolhinhos, vem cá; apresenta-te! Muito contente e cheia de esperanças, ela saiu debaixo do barril, deixando o cavaleiro admirado de sua grande beleza. Êste perguntou-lhe:

– Tu, Doisolhinhos, com certeza podes dar-me um galho dessa linda árvore! – Posso, sim, – respondeu ela – porque essa árvore é minha. Trepou, àgilmente, pelo tronco acima e, sem a menor dificuldade, apanhou um galho com as mais lindas folhas de prata, carregado de frutas de ouro, e entregou-o ao môço, o qual disse:

– Que devo dar-te, em troca disto? – Ah, – respondeu Doisolhinhos – aqui padeço fome o dia inteiro e tôda espécie de maus tratos; se quisésseis levar-me embora, eu seria muito feliz. O cavaleiro colocou-a no arção da sela e levou-a para o castelo de seu pai. Lá, mandou que lhe dessem trajes suntuosos e a melhor alimentação. Tendo-se apaixonado loucamente por ela, desposou-a em meio a grandes festas e alegria. Quando o cavaleiro levou consigo Doisolhinhos, a sorte desta aumentou incrivelmente a inveja das duas irmãs, que se consolaram, pensando: „Resta-nos, todavia, a árvore maravilhosa e, embora não possamos colher seus lindos frutos, ela atrairá a atenção de todos os transeuntes, que virão até cá para admirá-la; quem sabe se não teremos também uma feliz sorte?“

Mas, na manhã seguinte, viram, desapontadas que a árvore tinha desaparecido desvanecendo-se assim as suas esperanças. E Doisolhinhos, ao olhar para fora da janela, viu com grande alegria que a sua árvore a havia acompanhado e estava lá diante dela. Doisolhinhos viveu longamente, muito feliz, mas certo dia, apresentaram-se ao castelo duas mendigas pedindo esmola. Olhando para elas atentamente, Doisolhinhos reconheceu suas irmãs, Olhinho e Trêsolhinhos, reduzidas a tamanha miséria que eram obrigadas a mendigar de porta em porta. Ela, porém, acolheu-as amàvelmente. E no castelo foram muito bem tratadas e assistidas, acabando por arrepender-se, sinceramente, de todo o mal causado à boa irmãzinha durante a sua juventude.

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Informação para análise científica

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Valor
NúmeroKHM 130
Aarne-Thompson-Uther ÍndiceATU Typ 511
TraduçõesDE, EN, DA, ES, FR, PT, FI, HU, IT, JA, NL, PL, RO, RU, TR, VI, ZH
Índice de legibilidade de acordo com Björnsson34.9
Flesch-Reading-Ease Índice28.8
Flesch–Kincaid Grade-Level12
Gunning Fog Índice14.6
Coleman–Liau Índice11.2
SMOG Índice12
Índice de legibilidade automatizado7.2
Número de Caracteres12.648
Número de Letras9.899
Número de Sentenças153
Número de Palavras2.157
Média de Palavras por frase14,10
Palavras com mais de 6 letras449
percentagem de palavras longas20.8%
Número de Sílabas4.174
Média de Sílabas por palavra1,94
Palavras com três sílabas518
Percentagem de palavras com três sílabas24%
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